CBR

 

A Radiologia

A história da Radiologia se iniciou numa tarde de 08 de novembro de 1895, no laboratório da Universidade de Wurzburg, na Alemanha, onde o físico Wilhelm Conrad Roentgen pesquisava o tubo de raios catódicos, inventado pelo inglês William Crookes. Roentgen usou a radiação por quinze minutos para retratar os ossos de uma das mãos de sua mulher Bertha, em 22 de dezembro de 1895. Fascinado, mas ainda confuso, Roentgen decidiu chamar sua descoberta de Raios-X – símbolo usado em ciência para designar o desconhecido. Em 1903, Roentgen ganhou o prêmio Nobel de Física.

Em 1897, logo após a descoberta dos Raios-X, o médico mineiro José Carlos Ferreira Pires, acreditando nas aplicações médicas desta descoberta, trouxe para a sua cidade – Formiga (MG) – o primeiro aparelho de Raios-X da América do Sul, em lombos de burro e carros de boi pelas estradas precaríssimas.

A partir de 1912, a radiologia passou a ser reconhecida como especialidade com a chegada do professor Roberto Duque Estrada, de Paris (França), com equipamentos radiológicos e inaugurando o Serviço de Radiologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Em 1916, ele criou o primeiro Curso de Radiologia, para onde afluíam médicos de todo o Brasil com o objetivo de se especializar ou apenas procurando obter conhecimentos de radiodiagnóstico úteis no desempenho da clínica.

Em São Paulo (SP), nesse mesmo período, Rafael de Barros era nomeado professor de Radiologia na Santa Casa de Misericórdia, criando outra Escola da especialidade em outro grande centro.

A partir de 1922, outra estrela de primeira grandeza começava a brilhar na constelação dos radiologistas brasileiros: Manoel de Abreu. Em 1936, ele inventou a Abreugrafia, um tipo de radiografia que registra a fotografia da imagem do tórax na tela fluoroscópica. A radiografia tradicional, por sua vez, resulta da impressão direta no filme radiológico dos feixes de Raios-X depois de atravessarem o corpo.

Dando a continuidade ao Ensino da Radiologia, não podemos deixar de citar os grandes nomes da especialidade que deram prosseguimento ao trabalho dos pioneiros, tais como Dr. Nicola Casal Caminha (RJ), Dr. José Maria Cabello Campos (SP), Dr. Feres Secaf (SP), Dr. Walter Bonfim Pontes (SP), Dr. Abércio Arantes Pereira (RJ), Dr. Amarino Carvalho De Oliveira (RJ) e Dr. Waldir Maymone (RJ).

Dos grandes nomes citados acima, não podemos deixar de distinguir o Dr. Nicola Casal Caminha que, seguindo os passos de seu mestre e chefe Dr. Duque Estrada, dedicou sua vida à clínica, ao HSE – IPASE (RJ) e ao Ensino da Radiologia por mais de 50 anos. Em qualquer ponto do país onde esteja funcionando um Serviço de Radiologia, paira sobre ele a influência do professor.

A radiografia convencional nunca foi eficiente para visibilizar as partes moles (fígado, intestinos, cérebro e músculos), que deixam a radiação passar quase completamente não dando bons contrastes. A proeza só foi possível com a Tomografia Computadorizada, uma super evolução dos Raios-X que produz detalhamento anatômico minucioso, com resolução em alto contraste de todas as partes do corpo.

A partir de 1975, a Ultrassonografia começou a ser utilizada. É um método totalmente inócuo que proporciona avaliação diagnóstica mediante as reflexões de ondas sonoras de alta frequência focadas em órgãos internos.

Trata-se de um procedimento não invasivo que fornece, sem os riscos da radiação, informações rápidas sobre todas as partes do corpo. Ressonância Magnética é o mais recente e o mais poderoso método de diagnóstico por imagem. Como no ultrassom diagnóstico, a Ressonância Magnética não utiliza radiação ionizante. As imagens constituem representações das intensidades de sinais eletromagnéticos de núcleos de hidrogênio no paciente. Estes sinais, resultado de uma interação de ressonância entre os núcleos e os corpos magnéticos aplicados externamente, podem ser codificadas espacialmente de modo a fornecer um mapeamento da região da imagem em duas ou três dimensões.

A Tomografia por Emissão de Pósitron (PET) é uma técnica de produção de imagens capaz de demonstrar modificações fisiológicas nos tecidos. A radiação derivada de átomos radioativos (emissões de pósitron) acoplados a moléculas biologicamente ativas é utilizada na produção de cortes tomográficos. As imagens são obtidas de maneira semelhante à usada em exames de medicina nuclear, à medida que um agente radiofarmacêutico é injetado no paciente e os produtos de degradação radioativa são detectados por Gama Câmera. A vantagem da PET sobre as técnicas tradicionais da Medicina Nuclear é a produção de cortes tomográficos de meios de resolução e a disponibilidade de ampla gama de moléculas biologicamente ativas que podem ser injetadas para o estudo de diversos processos metabólicos.

A técnica utilizada na Densitometria Óssea atualmente é o DEXA (Dual X – Ray Absorptiometry). Os Raios-X são dirigidos contra uma área específica do osso (Col. lombar em AP e o colo do fêmur direito) e um detector de cintilação que mede o grau de atenuação determinado pelo conteúdo mineral ósseo. Esta avaliação permite confirmar o diagnóstico de osteoporose em pacientes sintomáticos ou assintomáticos com fator de risco, quantificar a perda da massa óssea em pacientes com osteoporose estabelecida e monitorar as respostas aos diferentes tratamentos clínicos.

Com o advento de novos equipamentos, em função dos avanços tecnológicos e de informatização, a especialidade cresceu muito, e, simultaneamente, a necessidade de obter informações rapidamente, que foi possível graças a alguns abnegados que procuraram se espelhar nos nossos antecessores na arte de ensinar.

O Dia Nacional do Radiologista é comemorado em 08 de novembro.

Fonte: Dr. João Paulo Kawaoka Matushita, médico radiologista membro titular do CBR.