CBR

 

19

setembro

2013

Câncer pulmonar: rastreamento por TC poderia salvar 12 mil vidas ao ano

O câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos e apresenta aumento de 2% por ano na sua incidência mundial. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), só no ano passado, estima-se o surgimento de 17 mil novos casos da doença em homens e mais de 10 mil em mulheres. Altamente letal, foi responsável por 21.867 mortes em 2010, das quais 13.677 em homens e 8.190 em mulheres, sendo o tipo que mais fez vítimas. Em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco.

Estudo recentemente publicado no jornal Cancer (Annual number of lung cancer deaths potentially avertable by screening in the United States) demonstrou que o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose de radiação em fumantes com elevada carga tabágica reduziu a mortalidade por câncer de pulmão em 20%, em comparação ao rastreamento com raios X. O estudo também indica que 12 mil mortes pela doença poderiam ser evitadas neste grupo de maior risco com o uso da tomografia computadorizada nos Estados Unidos. Um segundo estudo, publicado no New England Journal of Medicine (Selection Criteria for Lung-Cancer Screening), afirma que o número de vidas que podem ser salvas através desse critério diagnóstico é ainda maior, sugerindo que outros grupos de pessoas tenham acesso.

De acordo com o médico radiologista Cesar Augusto de Araújo Neto, coordenador da área de Tórax do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), a tomografia computadorizada é um método diagnóstico mais eficiente no rastreamento do câncer de pulmão que os raios X. “Vários estudos da literatura internacional, de caráter observacional, têm demonstrado que a tomografia computadorizada helicoidal de baixa dose dos pulmões demonstra mais nódulos e neoplasias malignas, inclusive em estágio precoce, que a radiografia do tórax, devido a elevada sensibilidade do método. Pesquisa recentemente realizada pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, denominada Nacional Lung Screening Trial (2011), demonstrou que o rastreamento pulmonar com tomografia computadorizada helicoidal de baixa dose, comparada com a radiografia do tórax, promoveu redução de 20% da mortalidade específica para câncer de pulmão em população de alto risco”, afirmou.

Tumores de localização pulmonar central podem provocar tosse, sangramento e falta de ar. Os que envolvem o ápice pulmonar podem desencadear dores nos ombros e braços. Há outros, porém, que não dão sinais tão evidentes, geralmente estão localizados em uma região mais periférica do pulmão, ou têm dimensões tão pequenas que ainda não produzem sintomas. É justamente nessa fase inicial que as chances de cura seriam maiores se a lesão tivesse sido detectada.

Segundo o Dr. Araújo Neto, a busca da detecção precoce e da caracterização segura das lesões benignas e malignas, bem como do conhecimento do comportamento genético, certamente alterará os critérios diagnósticos e, consequentemente, possibilitará expressiva diminuição na mortalidade por câncer de pulmão. “O desenvolvimento de equipamentos de tomografia computadorizada que preservem a qualidade de imagem já conquistada e que envolvam menor dose de radiação, o aperfeiçoamento de programas de computador específicos para ajudar o radiologista a detectar, quantificar e acompanhar a evolução de nódulos pulmonares de difícil visualização (CAD), além da integração de estudos morfológicos e funcionais mediante o refinamento da tecnologia PET/CT e o aprofundamento do entendimento dos mecanismos genéticos que fundamentam o câncer pulmonar serão ferramentas essenciais para alcançarmos as metas almejadas”, explicou o coordenador da área de Tórax do CBR.

A quantidade de radiação ionizante agregada nesses estudos também deve ser levada em conta na decisão da realização rotineira dos exames de tomografia, e deve-se pesar o custo-benefício em cada caso, a depender de fatores de risco como idade e tabagismo pesado. “Esperamos que o futuro nos traga métodos de rastreamento mais efetivos, de menor custo e de uso mais prático para envolver grandes populações, disponibilizando testes de sangue, de urina ou respiratórios para detecção precoce do câncer de pulmão”, conclui o Dr. César Augusto de Araújo Neto.

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