CBR

 

18

dezembro

2013

CFM alerta para a qualidade da residência médica

residentes

Foto: G1

Residência médica terá mais 3.600 vagas

O Ministério da Saúde aprovou a criação de 3.613 vagas de residência médica para 2014, o que pode elevar para 6.600 o número de residentes custeados pela pasta.

A oferta, porém, depende de visitas da Comissão Nacional de Residência Médica aos serviços médicos e da posterior autorização para abertura das vagas, seja para 2014 ou 2015. A bolsa paga ao médico é de R$ 2.976,26.

A intenção de expandir a residência médica já havia sido anunciada pelo governo e incluída no programa Mais Médicos. A promessa é criar 12,4 mil vagas até 2018, para tornar a oferta da residência universal aos egressos dos cursos de medicina.

Em 2013, formaram-se 16,8 mil médicos. Há cerca de 12 mil vagas de especialização, custeadas por União, governos estaduais e municipais e entidades filantrópicas.

Mais de 60% das novas bolsas serão concentradas no Sudeste (2.278 vagas), particularmente no Estado de São Paulo (1.609).

Texto publicado na Folha de S. Paulo – Cotidiano em 18/12/13

 

NOTA À SOCIEDADE

CFM alerta para a qualidade da residência médica

Com respeito as 12,4 mil novas vagas de Residência Médica (até 2018), anunciadas nesta terça-feira (17), o Conselho Federal de Medicina (CFM) expressa sua preocupação com as consequências dessa medida, que pode comprometer de forma irreversível a qualidade na formação dos especialistas brasileiros. Por isso, alertamos para os seguintes aspectos:

1) O êxito da iniciativa só ocorrerá se houver condições adequadas de preceptoria e infraestrutura apropriada (instalações e equipamentos) para a formação dos residentes. Sem isso, o processo de ensino não se concluirá, devolvendo à sociedade um profissional sem a qualificação esperada, comprometendo o atendimento dos pacientes;

2) O risco de comprometimento na formação é real, pois, atualmente, há número considerável das vagas nas Residências Médicas disponíveis em instituições de ensino que descumprem regras mínimas estabelecidas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), obrigando-a a realizar diligências na tentativa de corrigir as pendências identificadas;

3) Ações deste calibre devem estar atentas aos limites do sistema formador do país e fugir da tentação de usar residentes para mascarar a crise nos hospitais gerais e prontos-socorros, como denunciado pela imprensa. Sem observar requisitos mínimos para o ensino de qualidade, o Governo prejudicará a formação dos futuros especialistas e não resolverá o cenário de caos instalado, cuja solução passa por mais investimentos e melhor gestão.

Se, historicamente, as entidades médicas defendem que cada aluno egresso de uma escola de Medicina tenha vaga assegurada para obter sua especialização, essa luta não impede críticas a mais uma medida de apelo midiático, sujeita a sérios problemas operacionais.

Assim, o CFM – por meio de informações da CNMR e pelo acompanhamento dos programas de Residência Médica nos Estados – monitorará esse processo para impedir o desrespeito aos parâmetros para formar profissionais com alta qualidade ética e técnica.

Brasília, 17 de dezembro de 2013

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (CFM)

 

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