CBR

 

23

julho

2013

Médicos dizem por que são contra medidas do Governo

As entidades médicas divulgaram nesta terça-feira, 23 de julho, Carta Aberta à população onde explicam os motivos da contrariedade da categoria às medidas anunciadas pelo Governo no escopo da MP 621.

O material informa que os médicos são solidários às queixas da população, mas ressaltam que não são apenas profissionais que resolverão os problemas do atendimento. O texto destaca a necessidade de mais investimento na saúde e diz que as entidades médicas não são contra a vinda de médicos estrangeiros, desde que estes provem sua qualificação pelo Revalida e domínio da língua portuguesa. “Ninguém é contra a vinda desses profissionais, mas antes deles atenderem você, seus filhos, sua família, eles precisam provar que são competentes passando em exames sérios. No mundo inteiro é assim. Por que no Brasil tem que ser diferente?”, diz um dos trechos.

Na carta aberta, os médicos pedem a compreensão da população: “em nenhum momento, queremos prejudicar você, cidadão, tão vítima quanto os médicos nesse processo. No entanto, mobilizações podem acontecer no seu estado para chamar a atenção das autoridades”.

Leia abaixo a Carta aos Brasileiros na íntegra:

 

Mobilização Nacional em Defesa da Medicina e da Saúde

Carta aos brasileiros

Nós, médicos de todo o Brasil, estamos engajados num grande movimento para assegurar que a melhor assistência chegue aos moradores do interior e das periferias dos grandes centros. Somos solidários às queixas da população, mas sabemos que não são apenas médicos que resolverão os problemas do atendimento.

É preciso também investir pesado e ter uma gestão eficiente, moderna e transparente. Esse esforço até já poderia ter começado se as propostas da categoria médica tivessem sido ouvidas e acolhidas quando foram apresentadas, há tempos.

Somente assim, o Brasil terá postos de saúde e hospitais com padrão FIFA. Todos com boas instalações, leitos, remédios e exames para oferecer a quem procura. Colocar um médico no interior não resolverá o problema do atendimento, pois a única coisa que ele poderá fazer em casos graves será colocar o paciente numa ambulância e mandar para outra cidade.

Ao invés de investir em saúde, o Governo diz que a solução é importar médicos do estrangeiro. Ninguém é contra a vinda desses profissionais, mas antes deles atenderem você, seus filhos, sua família, eles precisam mostrar que são competentes passando em exames sérios. No mundo Inteiro é assim. Por que no Brasil tem que ser diferente?

Quem se formou em outro país também tem que provar que sabe falar português: que entende o que o paciente diz, que tem condições de dar orientações sobre como seguir o tratamento e de escrever uma receita que não precise de tradução. Se um morador de uma capital fere direito a isso, a mesma regra tem que valer para quem vive numa área distante.

Desse jeito vão ser criadas duas classes de brasileiros: de primeira e de segunda categoria, o que é inconstitucional, imoral e injusto. Para que impedir que isso ocorra é preciso dizer NÃO às propostas improvisadas, eleitoreiras e antiéticas. É isso que os médicos estão fazendo.

O que se quer é simples: que a Constituição seja respeitada, que a lei seja cumprida, que a igualdade dos cidadãos seja respeitada, que as soluções sejam buscadas sem agredir aos direitos de todos e levando em conta a opinião dos diferentes setores da sociedade.

Por isso, nós, médicos, pedimos desculpas se nos próximos dias você e sua família tiverem dificuldade em marcar uma consulta ou fazer um exame. Em nenhum momento, queremos prejudicar você, cidadão. No entanto, mobilizações podem acontecer no seu Estado para chamar a atenção das autoridades.

Não entenda nisso uma ação corporativista, de quem está só preocupado com seus interesses, como dizem alguns. Longe disso: nosso maior interesse é fazer com que você possa ter o SUS que tanto sonha: universal, Integral, gratuito e com serviços iguais para todos.

Nos dê o seu apoio nessa luta, porque ela é sua também!

Comitê Nacional de Mobilização das Entidades Médicas

 

Fonte: CFM

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