CBR

 

08

março

2012

Mulheres médicas no Brasil: passado e futuro

De acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil: dados gerais e descrições de desigualdades, realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil possui hoje 351.779 médicos em atividade. Deste total 145.140 (41,26%) são mulheres. Entre os especialistas associados ao Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, 3.012 (36,5%) são mulheres.

De 1 para 7.634
Até a década de 70, o número de novos profissionais médicos registrados junto aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) do sexo feminino não ultrapassava 750, ou seja, apenas 17,8% eram mulheres. Dez anos depois, em 1980, a quantidade de médicas quadriplicou, passando para 3.653, ou seja, 35%. Vale lembrar que em 1910 havia um único registro referente ao sexo feminino.

Em 2009, pela primeira vez na história, as mulheres deixaram de ser minoria entre os profissionais inscritos nos CRMs e, desde 2010, elas representam 52,46% dos novos médicos, somando um total de 7.634 profissionais.

Em relação à faixa etária, a maior concentração feminina está entre os jovens de até 29 anos, onde 53,31% são mulheres. A partir de 70 anos, o número de mulheres cai significativamente para 18,08%. Entre 50 e 54 anos elas representam 41,41% e, entre 30 e 34 anos, chegam a 46,09%.

A feminização da medicina
De acordo com a curva de crescimento apresentada nos últimos anos, a tendência é que a quantidade de mulheres médicas continue a crescer. Um dos fatores para este crescimento está relacionado com a predominância feminina na população brasileira.

Segundo dados de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a relação entre os dois sexos era de 96,6 homens para cada 100 mulheres. Em 2010 a diferença caiu para 96 para cada 100. Além disso, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o mundo hoje passa por uma tendência de feminização da prática da medicina. Segundo estudos da organização, entre 1990 e 2005 a proporção de mulheres médicas em 30 países estudados cresceu 30%. E a mesma tendência deverá ser mantida no Brasil, uma vez que do total de matrículas em cursos de graduação de medicina, 55,1% são feitas por mulheres. Quando analisada a quantidade profissionais que concluem o curso, o número de formandos representa 58,8%.

No entanto, como até a década de 70 a profissão era predominantemente masculina, tudo indica que as mulheres só superarão os homens em quantidade daqui a duas décadas ou mais.

Um pouco de história
O Dia Internacional da Mulher está historicamente ligado aos movimentos feministas surgidos no século XVIII e que buscavam mais dignidade para as mulheres e sociedades mais justas e igualitárias. Neste período da história mundial recente, as mulheres eram submetidas a um sistema desumano de trabalho e a um tratamento desigual pela sociedade.

A partir da Revolução Industrial, em 1789, a realidade a que as mulheres eram submetidas tornaram-se cada vez mais claras e as reivindicações por melhores condições de trabalho, acesso à cultura e igualdade entre os sexos ganharam força.

Em 8 de março de 1857, 129 tecelãs de uma fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, EUA, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito de reduzir a jornada de 12 horas para 10. Foi a primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres. A polícia não hesitou em reprimir violentamente a manifestação e as operárias precisaram se refugiar dentro da fábrica para evitar a agressão policial. Os proprietários da empresa, com o apoio do poder local, trancaram os portões do edifício e atearam fogo ao local. As 129 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, o dia 8 de março foi declarado Dia Internacional da Mulher em homenagem às operárias assassinadas. Desde então o mundo inteiro comemora a data propondo reflexões sobre a condição feminina e o papel da mulher na sociedade contemporânea.

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