CBR

 

08

novembro

2012

Brasil discute a normalização de monitores médicos

No Brasil, não há uma regulamentação clara no que diz respeito à normalização de monitores médicos. No entanto, com a crescente digitalização de imagens médicas de radiodiagnóstico e a prática da telerradiologia, surge a necessidade de discutir qual seria a especificação mínima para a utilização de monitores eletrônicos em Diagnóstico por Imagem.

O tema foi abordado no artigo Monitores radiológicos: necessidade ou luxo?, escrito pelos professores doutores Luiz Felipe Nobre, Aldo Von Wangeheim e Paulo Mazzoncini de Azevedo Marques, e publicado na edição Julho/Agosto de 2012 da revista Radiologia Brasileira. No editorial, os autores ressaltam a importância de aprofundar o estudo sobre o assunto, definindo-se normas e parâmetros para que o médico saiba “quando se deve utilizar monitores radiológicos de alta definição e como estabelecer parâmetros mínimos para a visualização de imagens médicas” (Radiol Bras. 2012 Jul/Ago;45(4):V–VI).

A certificação dos monitores também foi debatida por especialistas no “I Workshop sobre Normalização e Avaliação de Dispositivos Indicadores de Imagens Médicas: Certificação Compulsória Está em Pauta”, que ocorreu no dia 20 de junho de 2012, em São Paulo (SP). O evento foi realizado pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE/USP) e promovido pelo Ministério da Saúde, Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), e Pan American Health Organization.

O workshop tratou de temas relacionados ao processo de certificação brasileiro, ensaios de segurança e desempenho em radiodiagnóstico, interpretação de imagens médicas do ponto de vista técnico e clínico, aspectos metrológicos de avaliação de diplays, entre outros.

Desde 2011, o Brasil, por meio do Grupo de Trabalho 51 – Displays Médicos -, da Comissão de Estudos de Diagnóstico por Imagens da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), vem atuando ativamente junto ao MT 51 – Medical Electrical Equipment – Medical Image Display Systems – Part 1: Evaluation methods, da International Electrotechnical Commission (IEC). Esta participação trouxe a preocupação com os ensaios de desempenho deste item fundamental no diagnóstico médico, e motivou a realização do evento.

Estudo
A Comissão de Estudos de Diagnóstico por Imagem da ABNT, que conta com a participação do Laboratório de Desempenho e Segurança de Equipamentos e Materiais Elétricos do IEE/USP e da equipe do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), está encarregada de participar de um programa de comparação interlaboratorial internacional e de traduzir e internalizar as normas internacionais que regem o controle de qualidade desses equipamentos, e encontrar os valores que deverão ser respeitados em todo o território nacional.

Atualmente, os itens avaliados no mercado são o desempenho, a segurança elétrica e radiológica, e a saída de radiação. Ou seja, todos os equipamentos utilizados em exames laboratoriais – tomógrafos, ressonância magnética, raios X, entre outros – não têm a sua imagem atestada por nenhuma norma de verificação da qualidade. “Não existe nada no que se refere aos displays, o que significa que não podemos assegurar a qualidade dos laudos e diagnósticos, uma vez que tudo deve funcionar em conjunto”, afirma o Dr.Márcio Bottaro, coordenador da Comissão de Estudos de Diagnóstico por Imagens da ABNT.

“Nossa missão será traduzir e internalizar o que já existe lá fora sobre o tema e ainda sugerir valores que estabeleçam limites mínimos para esse controle no mercado nacional. Além disso, estamos participando de projetos internacionais a fim de definir valores para as novas normas internacionais”, afirma o relator do GT 51 da ABNT, também integrante da comissão, Dr. Balázs Vince Nagy, que é pequisador do Laboratório da Visão do Instituto de Psicologia da USP.

O trabalho da comissão brasileira vai integrar a reformulação que está sendo feita pelo Food and Drug Administration (FDA) e pela IEC, e que irá resultar em novas normas de desempenho e segurança dos monitores usados para visualização de imagens médicas – que devem entrar em funcionamento a partir de janeiro de 2014.

Visão do mercado
O encontro também contou com participação das empresas Barco e Eizo durante a palestra Tecnologias atuais de displays médicos. Para a diretora da Eizo, Luciana Hadade, esta normalização é mais do que necessária. “Não adianta ter um equipamento de ponta e não cuidar para que ele tenha a mesma qualidade dos outros equipamentos do PACs. Além disso, é de fundamental importância que ele esteja sempre apto a fazer a leitura fidedigna dos exames e o diagnóstico correto”, enfatiza.

De acordo com Marcos Carmelengo Barboza, gerente de vendas da Barco, os monitores médicos dedicados oferecem vantagens significativas para o diagnóstico por imagem. “Podemos citar 10 razões para o uso de monitores médicos: resolução e orientação, luminância, contraste, ângulo de visão, escala de cinza, consistência da imagem, uniformidade da luminância, calibração DICOM, aprovação médica, configuração e controle da qualidade”.

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