CBR

 

03

julho

2013

Em crise, Unimed Paulistana troca cúpula

Em uma tentativa de sair da crise financeira e operacional em que está afundada desde 2009, a Unimed Paulistana (UP), uma das maiores operadoras de saúde do país, contratou um novo executivo de mercado para comandar suas operações. A partir deste mês, o paulistano Augusto Cruz Filho, 60, ex-CEO do Pão de Açúcar (2003-2005), assume a direção-executiva da cooperativa, que tem 900 mil usuários na região da capital paulista. Ele tem à frente o desafio de tentar tirar a operadora da pior crise de sua história.

A cooperativa registrou três anos de prejuízo desde 2009, quando reconheceu um passivo fiscal de R$ 1,3 bilhão (hoje, após renegociação, o déficit é de R$ 560 milhões). Por causa da dívida, naquele ano, a operadora entrou em regime de direção fiscal da ANS (Agência Nacional de Saúde), que manteve um de seus diretores dentro da empresa até 2011. Além disso, por duas vezes nos últimos 12 meses, a Unimed Paulistana foi impedida de vender parte de seus planos de saúde, por descumprir prazos de agendamento fixados pela agência. A última suspensão, em janeiro, continua em vigor.

Em maio, a Unimed Paulistana foi a quinta operadora em reclamações no índice da ANS que mede o número de queixas por usuário. “Vamos tentar reestabelecer o equilíbrio financeiro ainda neste ano”, afirma Cruz, que trouxe dois executivos novatos na área médica (ex-Banco do Brasil e ex-Xerox) para a participar da reestruturação da operadora. Cruz diz que “é possível” zerar as dívidas em 2013 e voltar a ter um resultado positivo no próximo ano. A UP teve receita líquida de R$ 2,95 bilhões em 2012.

Mais controle
Além da profissionalização, o plano de reestruturação inclui corte de custos, mudanças de sistemas internos (como o de TI) e a melhora dos controles de pagamentos e recebimentos.

O objetivo é atacar um dos principais problemas do sistema privado de saúde atualmente: o aumento das despesas com consultas, exames e internações, reflexo do maior acesso da população do país aos planos, do avanço da tecnologia médica e do envelhecimento dos usuários.

“Precisamos aumentar o controle do que estamos aprovando para poder ajustar os cálculos atuariais [que fazem a precificação dos planos]“, diz Cruz. Um diagnóstico dessa área na empresa foi encomendado à consultoria PriceWaterhouseCoopers.

Para lidar com o aumento de custos, a cooperativa prevê estimular a adoção, por parte dos médicos e clínicas dos chamados protocolos clínicos, que padronizam procedimentos e tratamentos. “Os protocolos trazem maior previsibilidade de custos e difundem as melhores práticas”, diz Paulo Leme, presidente da UP, eleito em votação pelos médicos cooperados em 2009.

Leme afirma que trabalha também para reduzir o número de queixas na ANS, com reforços no call center e ouvidoria interna, e na ampliação da rede própria de atendimento, para reduzir problemas com agendamentos.

Hoje a UP mantém um hospital e cinco unidades de serviços ambulatoriais.

Fonte: Marianna Aragão / Folha de S. Paulo.

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