CBR

 

04

julho

2013

Planos de saúde parasitam o SUS, afirma economista

O mercado de planos de saúde deve ser complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS) e não parasitário dele. A definição é do economista Carlos Octávio Ocké-Reis, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que está lançando o livro SUS: o desafio de ser único, (Editora Fiocruz).

Na publicação, o economista defende uma regulação “menos frouxa” para as empresas de planos de saúde e o fim dos subsídios ao setor como melhor caminho para corrigir a distorção. “O SUS é fundamental para a desconcentração da renda. No entanto, estamos subsidiando um setor altamente lucrativo, o mercado de planos de saúde”, critica, lembrando que, somente em 2011, as empresas privadas vendedoras de seguros saúde tiveram lucro líquido de R$ 4,9 bilhões, enquanto o subsídio estatal chegou a R$ 7,7 bilhões, defendendo o uso desta quantia num uso estatal para financiar o SUS.

“Além de superar o lucro das empresas, o valor do subsídio representa 10% do faturamento de um mercado oligopolista no qual não existe controle de preços, sobretudo nos planos coletivos”, reclama.

Para ele, o país ainda está longe de um sistema de saúde universalizado, daí ser necessária manter o serviço complementar, mesmo privado. Mas para tanto, o Estado deve cumprir seu papel de regulador e fiscalizador. “É difícil pensar apenas no SUS para atender a um setor tão importante da economia popular. No entanto, menos subsídio e mais recursos para o SUS faria o peso do mercado diminuir. O desafio – que está longe de ser conjuntural – é reconstruir a base social de apoio ao SUS enquanto projeto civilizatório. Isto é, o desafio da sustentação política de um projeto nacional, universalizante e igualitário em uma sociedade colonizada, hierárquica e desigual.”

Fonte: Monitor Mercantil

Noticias Aleatórias