CBR

 

07

setembro

2011

CBR na Mídia: tomografia computadorizada e a radiação

As tomografias computadorizadas podem proporcionar muitos benefícios no que diz respeito à qualidade no diagnóstico de doenças. No entanto, deve-se considerar a exposição às radiações utilizadas no exame e a importância de ponderar seu uso. Para falar sobre as indicações de tomografia e a busca pelas doses mínimas de radiação, entrevistamos o radiologista Fernando Alves Moreira. 

Portal Unimed – Em que consiste o exame de tomografia computadorizada?
Dr. Fernando Alves Moreira -
É um exame radiológico que usa radiação ionizante e é muito importante no diagnóstico de inúmeras doenças. Deve ser solicitado com critério, como todos os exames na área de Radiologia. A tomografia computadorizada foi o primeiro exame radiológico em que houve interação entre o aparelho de radiologia e o computador, que é usado para a formação das imagens.

Portal Unimed – Quais as indicações para realização de tomografias?
Dr. Fernando Alves Moreira -
O número de indicações para a realização de tomografias computadorizadas é muito grande, inclusive em algumas doenças é o principal exame a ser realizado. As principais regiões onde a tomografia computadorizada é realmente decisiva são as doenças do tórax e abdome.

Portal Unimed – Uma tomografia computadorizada pode expor o paciente a qual quantidade de radiação? A partir de qual dose ou de quantas exposições pode-se considerar que há risco para a saúde?
Dr. Fernando Alves Moreira -
Não existe um número acima do qual o paciente corre mais risco. Os efeitos colaterais da radiação usada em diagnóstico médico são muito raros, pois a quantidade de radiação utilizada é pequena, mas em se tratando de radiação ionizante quanto menos, melhor.

Portal Unimed – Quais os riscos das radiações liberadas em tomografias computadorizadas?
Dr. Fernando Alves Moreira -
Os poucos casos descritos limitam-se a alopécia (queda de cabelo transitória).

Portal Unimed – Os riscos de radiação podem ser diferentes para cada pessoa, em virtude de fatores como idade e tecidos atingidos?
Dr. Fernando Alves Moreira -
Sim, cada pessoa reage de modo individual à radiação. O que sabemos é que se deve usar o mínimo possível de radiação, desde que tenhamos uma qualidade satisfatória para o diagnóstico.

Portal Unimed – A tendência dos médicos é reduzir os pedidos de tomografia em virtude dos riscos para a saúde? O que motivou a iniciativa?
Dr. Fernando Alves Moreira -
A tendência atual é tentar substituir alguns pedidos de tomografias computadorizadas de abdome por ultrassonografia e, para avaliação do crânio e coluna, substituir a tomografia por ressonância magnética. Já faz tempo que o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem está preocupado com isso, pois a quantidade de radiação aumentou muito. Independente de complicações, já existem, tanto no Brasil como em outros países, alguns programas para diminuir a radiação. No Brasil, estamos discutindo e revisando junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma portaria [que regulamentou a radiologia no Brasil a partir de 1995]. Também estamos desenvolvendo um trabalho com a Anivsa para que a quantidade de radiação que cada paciente tomou conste no laudo médico do exame realizado. O problema são doenças como linfoma, em que muitas vezes são solicitados vários exames de tomografia, por causa da necessidade de fazer um controle para verificar se o paciente está respondendo ao tratamento. Isso é que deve ser feito com critério, substituindo, por exemplo, um re-exame de tomografia por um ultrassom, em vez de realizá-la a cada seis meses.

Portal Unimed – Estudos recentes teriam revelado que até 2% dos cânceres nos Estados Unidos são resultantes das irradiações da tomografia computadorizada. Deve-se considerar o risco de câncer?
Dr. Fernando Alves Moreira -
Todo mundo sabe que radiação causa câncer, mas para isso os níveis de radiação têm que ser muito altos. Não existe nenhum trabalho que comprove que a radiação usada para diagnóstico cause câncer, pois, para isso, as quantidades de radiação deveriam ser muito maiores. O que sabemos é que radiação é ruim, por isso, quanto menos, melhor. O médico que solicita o exame precisa ser mais criterioso, assim como o médico que faz a tomografia, que deve ter mais critérios para usar o mínimo de radiação possível. Em relação à qualidade de diagnóstico que se tem hoje, no entanto, é possível fazer diagnósticos muito mais precoces do que se fazia antigamente. Se colocarmos os benefícios desse exame e a radiação em uma balança, consideramos que a radiação é irrisória, pois é muito melhor ter a qualidade de diagnóstico. É importante lembrar que os riscos em medicina sempre existem e o médico precisa ponderá-los.

Fonte: Portal Unimed

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