CBR

 

10

novembro

2011

Coordenador de área da Capes esclarece apoio a periódicos brasileiros

O desenvolvimento da ciência brasileira nos últimos anos é indiscutível. O que se questiona, entretanto, é se este crescimento aconteceu de maneira homogênea em termos de quantidade e qualidade. Alguns dados indicam que aumentamos em quantidade graças à recente indexação de diversos periódicos brasileiros na base ISI Web of Science. A análise do número de citações como índice da qualidade da nossa produção científica, entretanto, não revela a mesma disposição. 

Este “descolamento” da qualidade e quantidade tem incomodado pesquisadores, editores, agências de fomento e os órgãos reguladores de pesquisa e de pós-graduação no Brasil. Todos concordam que deve ser estabelecida uma agenda de melhoria de qualidade para nossa produção científica. Neste contexto, produção científica e seus veículos de divulgação (as revistas) são indissolúveis. O círculo virtuoso, publicação-geração de nova hipótese-nova publicação requer trabalhos e periódicos, ambos de boa qualidade. Prova disto, A Fapesp, criadora e mantenedora do SciELO, manifestou seu interesse em conhecer os problemas e as perspectivas dos periódicos nacionais e está planejando contribuir para seu crescimento e melhoria da qualidade.

Do seu lado, a Capes recentemente manifestou sua intenção em apoiar alguns periódicos brasileiros através de suporte financeiro e/ou uma elevação do conceito Qualis no sistema de avaliação da Capes. A comissão da AMB formada por editores de revistas médicas científicas se reuniu no dia 3 de novembro para dar andamento às discussões sobre a indicação de periódicos brasileiros que deverão receber apoio da Capes. O encontro foi coordenado por Bruno Caramelli, editor da Revista da Associação Médica Brasileira.

O coordenador da área de Medicina 2 da Capes e representante da Medicina no Conselho Técnico-Científico da mesma agência, João Leite, veio à reunião para esclarecer como será feita a seleção de revistas e quais serão os critérios. Ele deixou claro que a Capes deverá auxiliar de fato periódicos nacionais por meio de apoio financeiro e elevando a qualificação Qualis, mas os critérios de seleção já foram definidos e visam beneficiar revistas indexadas a importantes bases. “A escolha da Capes nesse momento é apoiar revistas consolidadas em seu meio e de ampla abrangência de publicação, para que assim a ciência brasileira possa se internacionalizar”, explicou Leite. Segundo ele, há muita resistência para apoiar um grande número de revistas médicas, o que poderia representar um peso maior para a medicina, que tem mais revistas em detrimento de outras áreas. Assim sendo, ele acredita que no máximo serão apoiados 24 periódicos, o que representa cerca de dois periódicos por área.

Os editores, entretanto, questionaram que esta política poderia prejudicar os periódicos que ficarem de fora, em especial os mais recentes, com baixa ou nenhuma indexação e cuja gama de publicação é mais restrita, e solicitaram ao coordenador que exortasse à agência de fomento que o consenso do grupo é que as medidas de estímulo deveriam ser voltadas a todos os periódicos brasileiros. O documento contendo a súmula da reunião e a posição dos Editores será entregue ao Prof. João Leite para leitura na próxima reunião do CTC da Capes.

“O fato de estarmos aqui discutindo esse assunto, de termos mandado sugestões e agora o Prof. João Leite estar aqui nos ouvindo já é uma evolução, mas gostaríamos que a Capes nos atendesse e ampliasse sua base de apoio. Além disto, é importante que o órgão  acompanhe e registre passo a passo se  com essa política de apoio a ciência brasileira de fato irá melhorar e se este caminho está correto”, disse Caramelli ao final.

Leia na íntegra a carta enviada pela Capes aos editores solicitando que até o dia 18 de novembro sejam enviados os nomes dos periódicos candidatos a receber o aporte da agência.

Fonte: AMB

Noticias Aleatórias