CBR

 

23

novembro

2011

Senadores concordam que remuneração médica é injusta na saúde suplementar

Em audiência pública no Senado Federal realizada nesta terça-feira, 22 de novembro, com o objetivo de discutir a Saúde Suplementar, os integrantes da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) entenderam que a remuneração médica tem que melhorar. Ao final do debate, requerido pelos senadores Paulo Davim e Humberto Costa, foi proposto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que as entidades médicas contemplem em um documento suas principais reivindicações para serem debatidas entre todos. As entidades médicas avaliaram como proveitoso o encontro, e vão se mobilizar para elaborar as propostas.

Para o secretário de saúde suplementar da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Márcio Costa Bichara, que também representou o Conselho Federal de Medicina (CFM) na ocasião, a audiência mostrou alguns avanços. Entre eles, a flexibilização da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) e da ANS, graças a luta do movimento médico. “Até agora não foi possível um acordo que contemplasse verdadeiramente nossas reivindicações com os planos de saúde. Por isso, a categoria vem se movimentando e realizou as paralisações de 7 de abril e 21 de setembro. Estamos caminhando e esperamos que com este novo entendimento dos presentes, possamos nos reunir e pactuar uma regulamentação que modifique essa crise”, concluiu.

Durante a audiência, o representante da Associação Médica Brasileira (AMB), José Luiz Dantas Mestrinho, apresentou um relatório com a análise dos planos de saúde no Brasil, destacando a interferência das operadoras na relação médico-paciente. Segundo ele, a maioria dos profissionais levam cerca de 21 a 30 anos de formação e encontram-se na área suplementar, avaliando em 5 esse sistema, de uma escala de 0 a 10. De acordo com os dados divulgados, 92% dos médicos entrevistados afirmaram a interferência na autonomia de seu trabalho. A CASSI foi classificado como pior plano pelos profissionais.

O diretor da ANS, Maurício Ceschin, parabenizou o trabalho feito pelas entidades médicas, reconhecendo que há defasagem no ganho médico e explicou que a instituição tem feito o que pode dentro da lei. “Nós não temos uma atribuição legal para controlar os preços pagos, mas estamos empreendendo ações para incentivar a remuneração. Mesmo com limitações, estamos buscando entendimentos entre as partes envolvidas. Defendemos a CBHPM. O médico precisa desta força da Fenam, CFM e AMB. Trazer uma condição melhor para o médico é também cuidar da sociedade”, ressalta Ceschin.

De acordo com o senador Paulo Davim, o lucro das operadoras cresceu em 160% e apenas 40% foi repassado aos médicos. Ele afirma que é preciso uma saída rápida devido aos bons profissionais que estão se descredenciando. “Não é mais como antigamente, o Brasil está indo para um caminho perigoso, onde corremos o risco de perder especialidades por causa do trabalho árduo e remuneração simbólica. Nós trabalhamos com o que é mais importante e não podemos estabelecer o nosso preço? Vivemos num momento crítico que já ocorria na saúde pública e agora está na suplementar”, declara Davim.

Além do presidente da Comissão, senador Jayme Campos, também estiveram presentes representantes da SDE, Vinícius Marques Carvalho e Unimed, José Cláudio de Oliveira.

Fonte: Fenam

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