CBR

 

23

novembro

2011

Cremesp denuncia abertura de 220 vagas em novos cursos de Medicina em SP

Em Sessão Plenária do dia 22 de novembro, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) aprovou nota pública de repúdio à decisão do Ministério da Educação (MEC) pela abertura de 220 novas vagas em três novos cursos de Medicina no estado de São Paulo.

Leia abaixo a nota do Cremesp na íntegra:

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) vem a público repudiar a manobra do Ministério da Educação na abertura de três novos cursos de Medicina no Estado de São Paulo.

O MEC distorceu a informação, ao fazer divulgar que irá suspender provisoriamente 33 vagas em um curso mal avaliado de São Paulo, ao mesmo tempo em que autorizou a abertura definitiva de outras 220 vagas em três novas escolas.

Em novembro de 2009, parecer da Secretaria de Educação Superior do MEC, publicado no Diário Oficial da União, indeferiu o pedido de autorização de um novo curso em São Paulo, que também recebeu parecer desfavorável do Conselho Nacional de Saúde, diante da ausência de necessidade social e do excesso de escolas médicas no estado. Dois anos depois, inexplicavelmente, a mesma escola é agora aprovada.

Com isso, em 2012, estarão em atividade em São Paulo, 34 cursos de Medicina que oferecerão mais de 3.000 vagas por ano. Em dez anos de 2002 a 2011 foram autorizadas 900 vagas em 11 novos cursos. São Paulo já conta com 2,6 médicos por 1.000 habitantes, uma das maiores concentrações do mundo.

Muitos dos cursos são altamente lucrativos – cobram até R$ 5.400,00 a mensalidade –, não têm sequer hospital-escola, não têm corpo docente qualificado e não estão integrados ao Sistema Único de Saúde.

O Cremesp recebe mais de 3.500 denúncias contra médicos por ano e os processos éticos por má prática não param de crescer. O Exame do Cremesp avaliou, em sete anos, aproximadamente 5.000 formandos de escolas médicas paulistas. Desses, 2.250 (46,6%) foram reprovados, o que revela deficiência em algumas escolas já existentes, além de uma situação que coloca em risco a saúde e a vida da população.
 
O MEC pode e deve cumprir seu papel, fechando escolas e cursos sem qualidade e diminuindo vagas naquelas ineficientes e, aí sim, se necessário, autorizar a abertura de escolas públicas de qualidade e com docentes comprovadamente capacitados.
 
O governo federal e o MEC devem explicações à sociedade sobre a omissão diante da péssima qualidade do ensino médico e sobre os reais interesses que movem a abertura desenfreada de cursos de Medicina.

Fonte: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo

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