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Transient Reticular Gallbladder Wall Thichkening in Severe Dengue Fever

Artigo comentado por: Dr. Gabriel Antonio de Oliveira

Transient Reticular Gallbladder Wall Thichkening in Severe Dengue Fever: A Reliable Sign Of Plasma Leakage.
Pediatric Radiology (2010) 40;720-724
Gabriel Antonio de Oliveira, Renato Correa Machado, João Vicente Horvat, Luciano Emerich Gomes, Luciana Rossi Guerra, Leonardo Vandesteen, Fernão Teodoro de Oliveira, Norma Suely Lousada, Sandra Moreira Silva e Maria de Fátima Ceolin.

Fig. (A) Tríade do extravasamento plasmático, numa ultrassonografia abdominal em criança internada com dengue grave: derrame pleural, ascite e espessamento parietal da vesícula biliar.
Fig. (B ) e ( C) Detalhe do padrão reticular da parede vesicular em dois pacientes. Em ambos este padrão desapareceu por ocasião da alta hospitalar.

Nas últimas décadas têm se tornado frequentes casos de dengue grave, caracterizados, sobretudo, por extravasamento plasmático e consequente choque hipovolêmico. Admite-se que isto decorre de reação imunológica exacerbada em pacientes previamente infectados por um sorotipo do vírus – existem quatro – e que são reinfectados por outro sorotipo.

A literatura relata que, ao ultrassom, o extravasamento plasmático manifesta-se, principalmente, pela tríade derrame pleural, ascite e espessamento parietal da vesícula biliar.

Neste artigo os autores demonstram que quando este espessamento ultrapassa 5 mm, quase sempre assume um padrão reticular que desaparece ao mesmo tempo que os derrames serosos. Assim, inferem que este padrão traduza edema e não infecção da parede vesicular. Por isso propõem que o termo colecistite alitiásica jamais deva ser utilizado na dengue, pois há relatos de cirurgias induzidas por um diagnóstico errôneo de colecistite aguda.

Os autores não encontraram este padrão em outras doenças, mas é lícito supor que possa ocorrer em outras situações com extravasamento plasmático. Nesses casos também decorreriam de edema parietal e cirurgias seriam contraindicadas. Ademais de útil no diagnóstico e prognóstico, este padrão pode também ter valor epidemiológico. Quando aparece numa região, indicaria a chegada de um novo sorotipo do vírus, sendo de se esperar uma maior incidência de casos graves em pacientes adrede infectados por outros sorotipos.