CBR

 

21

junho

2016

Parecer: Uso da mamografia digital em todas as faixas etárias

A mamografia é o melhor exame para detecção precoce do câncer de mama, gerando redução na mortalidade comprovada por meio do acompanhamento de mais de 500 mil mulheres nas décadas de 70 e 80. Nessa fase, a tecnologia empregada foi a convencional (também denominada de analógica). Mas como toda vida moderna que caminha para a era digital, a mamografia também seguiu essa trajetória. Atualmente, a maioria dos aparelhos em uso é digital.

Vale salientar as diferenças de tecnologia utilizadas na mamografia convencional e na mamografia digital.

Na mamografia digital, a imagem é obtida por um aparelho de raios X especialmente projetado, com substituição do sistema filme/écran por um detector digital. Após a aquisição, a imagem pode ser lida em monitor após dez segundos, permitindo a verificação imediata da qualidade, com uma importante redução no tempo de exame. As imagens geradas são transferidas eletronicamente para a estação de laudo. Lá, é possível utilizar algoritmos para compensação da espessura da mama, ajustes de contraste e brilho, inversão negativo/positivo, utilização de lente eletrônica de aumento, anotações, gráficos e medidas. Em seguida, as imagens podem ser impressas em processadora específica a laser ou eletronicamente transferidas para um arquivo no computador do próprio serviço, gravadas em CD-ROM (que tem vida útil superior ao filme), enviadas via internet ou intranet.

Já na mamografia convencional, existe uma reduzida amplitude dinâmica, com vulnerabilidade à sub e superexposição; imutabilidade da imagem após o processamento, tal que qualquer esclarecimento demanda uma nova exposição; processamento lento, com maior possibilidade de introdução de artefatos; e dificuldade para a padronização da qualidade da imagem.

Em resumo, as principais vantagens da mamografia digital em comparação à convencional são: quantidade significativamente maior de informação por imagem; obtenção da imagem em tempo quase real (10 segundos após a exposição); manipulação da imagem por meio de inversão, zoom e lente eletrônica, havendo diminuição da necessidade de repetição de incidências, levando, consequentemente, a uma redução da dose de radiação e do desconforto para a paciente; possibilidade de arquivamento eletrônico das imagens e transferência para qualquer local distante.

Com todas essas vantagens tecnológicas, não demorou para que os vários estudos científicos demonstrassem a superioridade da mamografia digital em comparação à mamografia convencional no rastreamento do câncer de mama. Em 2007, Skane e colaboradores1 apresentaram os resultados finais do estudo Oslo II. Foi demonstrada uma diferença significativa na taxa detecção de câncer inicial entre a mamografia digital (0,59 %) e a mamografia convencional (0,38%), deixando claro o melhor desempenho da mamografia digital. Em 2008, Hambly e colaboradores2, analisando os dados do programa nacional de rastreio mamário da Irlanda, concluíram que a mamografia digital apresentou uma taxa de detecção de câncer de mama significantemente mais alta que a mamografia convencional. Em 2009, Vinnicombe e colaboradores3, em meta-análise envolvendo os oito grandes estudos randomizados, confirmaram que a taxa de detecção da mamografia digital era superior à mamografia convencional. Em 2012, Bluekens e colaboradores4, em um estudo multicêntrico na Holanda, compararam a mamografia convencional e a mamografia digital em mais de um milhão de mulheres rastreadas, concluindo que a mamografia digital teve uma taxa de detecção de câncer maior que a mamografia convencional, diagnosticando mais casos de cânceres invasores e CDIS mais agressivos. A partir de 2011, diversas diretrizes começaram a incluir a mamografia digital para o rastreamento do câncer de mama.

Portanto, a Comissão Conjunta de Imaginologia Mamária do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) enfatiza a importância da mamografia digital na avaliação mamária, recomendando sua utilização no rastreamento do câncer de mama para as mulheres acima de 40 anos (exame de rastreamento), assim como para todas as faixas etárias na presença de sintomas (exame diagnóstico).

Ressalta, ainda, que quando se implanta a mamografia digital, em geral, faz-se uma migração de toda a estrutura para o sistema digital (sistema de impressão, transmissão de imagens, entre outros), não se conservando a estrutura convencional. Isso impossibilita a clínica de realizar exames convencionais ao mesmo tempo que exames digitais. Dessa maneira, não é viável uma operadora segregar pacientes e reembolsar mamografia convencional para uma faixa etária e digital para outra numa mesma clínica.

 

Comissão Nacional de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)

 

Referências:

1. Skaane P, Hofvind S, Skjennald A. Randomized trial of screen-film versus full-field digital mammography with soft-copy reading in population-based screening program: follow-up and final results of Oslo II study. Radiology 2007; 244:708-17.

2. Hambly NM, McNicholas MM, Phelan N, Hargaden GC, O’Doherty A, Flanagan FL. Comparison of digital mammography and screen-film mammography in breast cancer screening: a review in the Irish breast screening program. AJR 2009; 193(4):1010-8.

3. Vinnicombe S, Pinto Pereira SM, McCormack VA, et al. Full-field digital versus screen-film mammography: comparison within the UK breast screening program and systematic review of published data. Radiology 2009; 251:347-58.

4. Bluekens AM, Holland R, Karssemeijer N, Broeders MJ, den Heeten GJ. Comparison of digital screening mammography and screen-film mammography in the early  detection of clinically relevant cancers: a multicenter study. Radiology 2012; 265(3):707-14.

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