CBR reforça sua atuação técnica e propositiva e já alinha prioridades para o ano que começa
Em 2025, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) teve uma atuação caracterizada pelo diálogo técnico, propositivo e colaborativo junto ao sistema de saúde, nas áreas pública e privada, cooperando de forma consistente em diversas frentes. Entre as principais contribuições, destaca-se a participação na Consulta Pública nº 144, que evidenciou o papel do CBR como uma entidade comprometida com a qualidade assistencial e com a defesa da boa prática médica.
Em parceria com outras sociedades de especialidade e com representantes da sociedade civil, o CBR apresentou contribuições embasadas em evidências científicas e na prática clínica, que foram acolhidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Como resultado, mulheres acima de 40 anos passaram a ter garantido o direito à realização da mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede de planos de saúde.
Outro marco relevante de 2025 foi o lançamento do Atlas da Radiologia, relatório de caráter técnico e estratégico para a especialidade. O documento traça um panorama preciso sobre a distribuição de equipamentos e profissionais no país, além de reunir percepções dos médicos radiologistas acerca dos desafios e das perspectivas da área.
O Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR 2025), realizado em Curitiba (PR), também simbolizou essa atuação institucional, ao conectar inovação tecnológica, atualização científica e prática clínica, fortalecendo ainda mais a comunidade radiológica. Na entrevista a seguir, o presidente do CBR, Rubens Chojniak, comenta as principais ações desenvolvidas em 2025 e revela as metas e prioridades para 2026. Confira!
CBR – Quais foram os avanços institucionais e regulatórios obtidos em 2025 que merecem destaque no balanço do ano?
Rubens Chojniak – O diagnóstico por imagem é hoje um dos pilares centrais da medicina moderna, uma vez que orienta decisões clínicas, evita desperdícios, amplia a segurança do paciente e impacta diretamente os desfechos em saúde. Valorizar a Radiologia é valorizar o cuidado como um todo, e inclui o reconhecimento do papel do médico radiologista, a qualificação permanente e a sustentabilidade dos serviços. É nesse contexto que o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem atua, integrando a especialidade, representando seus profissionais e contribuindo para um sistema de saúde mais eficiente e de melhor qualidade.
Em 2025, eu destaco três eixos principais. O primeiro foi o fortalecimento da representação institucional e da defesa profissional, com o CBR atuando de forma técnica e responsável na proteção do ato médico, na valorização do médico radiologista e na defesa de condições adequadas para o exercício profissional, sempre em diálogo com órgãos reguladores e demais instâncias do sistema de saúde. O segundo eixo foi a produção de conhecimento, transparência e qualidade, com iniciativas como o Atlas da Radiologia no Brasil 2025 e o fortalecimento do Programa de Acreditação em Diagnóstico por Imagem (PADI), que consolida padrões de qualidade, segurança do paciente e boas práticas nos serviços de imagem em todo o país. E o terceiro foi a consolidação científica e educacional, com a realização do CBR25, em Curitiba, que reuniu milhares de profissionais, promoveu atualização científica de alto nível e ampliou a integração com referências nacionais e internacionais.
CBR – No início de 2025, o Colégio liderou, em parceria com outras entidades médicas, o questionamento à Consulta Pública nº 144 da ANS. O que essa iniciativa revela?
RC – A atuação do CBR na Consulta Pública nº 144 evidencia nosso papel como uma entidade técnica, propositiva e comprometida com a qualidade assistencial. O Colégio, em parceria com outras sociedades de especialidade e com a sociedade civil, apresentou contribuições fundamentadas em evidências e na prática clínica. É importante destacar que a ANS acolheu essas contribuições e a resolução final buscou aperfeiçoar as regras de cobertura e organização dos procedimentos, preservando a segurança do paciente e a qualidade do cuidado. Nesse contexto, houve atenção especial a temas sensíveis, como o rastreamento mamográfico, garantindo maior clareza regulatória para evitar interpretações restritivas que pudessem impactar negativamente o acesso ao diagnóstico precoce.
CBR – Em 19 de dezembro de 2025, a publicação da Lei nº 15.284 passou a garantir o exame de mamografia gratuito pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos. Essa medida resultou de uma atuação do CBR?
RC – A Lei nº 15.284 alterou a Lei 11.664/2008 e assegura o direito à mamografia para mulheres a partir de 40 anos no SUS. Sobre a participação do CBR neste contexto, posso afirmar com segurança que o CBR tem uma atuação histórica e consistente na defesa do diagnóstico precoce e na qualificação da assistência em imagem. Sempre que há avanços que ampliam acesso com responsabilidade, o CBR reconhece a importância e reforça que o desafio seguinte é capacidade instalada, qualidade, rastreabilidade e equidade para o benefício chegar na ponta. Acredito que o CBR contribui de forma técnica sobre esse tema ao longo do tempo e agora o foco é ajudar a implementar essa medida com qualidade e sustentabilidade.
CBR – Em setembro, o CBR realizou o 54º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, em Curitiba. Qual a importância desse evento para o fortalecimento da radiologia brasileira?
RC – O CBR25 foi um momento de convergência nacional, aproximando ciência, educação, integração com a indústria, atualização tecnológica e, principalmente, fortalecimento da comunidade radiológica. Em Curitiba, foram três dias intensos de conteúdo e troca, com grande participação de profissionais e palestrantes, inclusive internacionais. Além disso, o evento proporcionou uma agenda que conectasse inovação e prática clínica. Isso, com certeza, fortalece o médico radiologista e melhora o cuidado ao paciente.
CBR – O lançamento do Atlas da Radiologia foi uma iniciativa estratégica do CBR. Qual a relevância desse projeto para a compreensão do papel da radiologia para a saúde do Brasil?
RC – O Atlas da Radiologia no Brasil 2025 é estratégico porque transforma radiologia em inteligência para o sistema de saúde. Esse documento, altamente técnico, descreve o perfil e a distribuição de especialistas, oferta de equipamentos, serviços e exames tanto no sistema público quanto no privado. Essa gama de dados oferece apoio qualificado na elaboração de políticas públicas e também colabora com decisões de investimentos da rede privada. Como sempre digo: sem dados, a gente debate; com dados, a gente decide.
CBR – Quais são as principais metas do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem para 2026?
RC – Em 2026, o CBR vai fortalecer a valorização do radiologista, ampliar sua representação nacional e internacional, consolidar seu papel na ultrassonografia, expandir a formação profissional e aprofundar sua atuação institucional, com foco em qualidade, segurança e valor assistencial. Para isso, o CBR definiu um conjunto de metas estratégicas que refletem tanto os desafios atuais quanto o papel institucional da especialidade. Vou explanar rapidamente os principais eixos a seguir:
1) valorização e reconhecimento do médico radiologista, com atenção aos novos modelos assistenciais, às condições de exercício profissional e ao protagonismo clínico do radiologista na jornada do paciente;
2) fortalecimento da representação nacional e internacional da radiologia brasileira, ampliando a presença do CBR em fóruns científicos, institucionais e regulatórios, e consolidando o Colégio como interlocutor qualificado da especialidade no Brasil e no exterior;
3) consolidação do CBR como entidade representativa da ultrassonografia, pela sua capacidade técnica, ampliando a defesa da prática médica especializada, da qualidade e da segurança dos exames, além do fortalecimento da formação e da atualização profissional em todo o país;
4) promoção da qualidade e da segurança em diagnóstico por imagem, por meio do fortalecimento de diretrizes, protocolos, boas práticas e iniciativas de acreditação;
5) expansão e modernização da educação médica continuada, com modelos mais acessíveis fortalecendo o vínculo do associado com o CBR ao longo de todo o ano;
6) atuação institucional e regulatória propositiva, com diálogo permanente com órgãos reguladores, gestores públicos e privados e demais entidades médicas, sempre baseada em evidência, dados e impacto assistencial.
Essas metas se tornam ainda mais relevantes diante dos desafios estruturais do mercado de Radiologia, como o crescimento contínuo da demanda por exames, o aumento da complexidade tecnológica e assistencial, e, paradoxalmente, pressões econômicas que afetam a sustentabilidade dos serviços e a valorização do trabalho médico. O CBR entende que enfrentar esses desafios exige representação forte, diálogo técnico com fontes pagadoras e defesa permanente do valor médico do diagnóstico por imagem.
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CBR – Como o Colégio pretende avançar, em 2026, na valorização do médico radiologista e frente aos desafios impostos pela tecnologia e pelos modelos assistenciais em transformação?
RC – Em 2026, a valorização do médico radiologista passa por três frentes complementares. A primeira é o fortalecimento do protagonismo clínico, reafirmando o papel do radiologista na tomada de decisão e na jornada do paciente. A segunda é a qualidade e segurança assistencial, com foco em protocolos, rastreabilidade, comunicação de achados críticos e boas práticas. A terceira frente é a incorporação responsável de tecnologias, especialmente de inteligência artificial.
Nesse sentido, o CBR está elaborando conteúdos técnicos para auxiliar radiologistas e serviços na adoção qualificada dessas tecnologias, em diálogo com a Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa), além de organizar um catálogo de soluções de Inteligência Artificial (IA) devidamente homologadas e promover fóruns de discussão para troca de experiências, avaliação crítica e alinhamento com a realidade assistencial brasileira.
Tudo isso ocorre em um cenário em que a Radiologia enfrenta modelos de remuneração que muitas vezes não refletem a complexidade técnica, a responsabilidade médica e o valor clínico gerado pelos exames. O CBR tem atuado para reforçar que o exame radiológico é um ato médico completo, que envolve muito mais do que a emissão de um laudo, e que a incorporação de tecnologias, inclusive a IA e a telerradiologia deve fortalecer, e nunca fragilizar, a qualidade assistencial e a valorização do radiologista.
CBR – Quais iniciativas estão previstas para ampliar a qualificação profissional, fortalecer a educação médica continuada e aumentar o engajamento dos associados?
RC – Vamos ampliar educação continuada para aumentar o engajamento regional e a participação dos serviços de diferentes perfis. A ideia é que o associado perceba o CBR como ‘apoio diário’, e não só como congresso anual. Para isso, estamos estruturando uma agenda com cursos intensivos, webinares, atualizações guiadas por diretriz e iniciativas de carreira/valorização.
CBR – De que forma se pretende fortalecer a atuação e diálogo com órgãos reguladores, gestores e demais entidades médicas em 2026?
RC – O CBR vai fortalecer sua presença institucional com uma agenda técnica permanente, oferecendo subsídios baseados em evidência, dados do Atlas e experiências do sistema real. A radiologia é transversal a toda medicina e, por isso, nosso diálogo precisa ser contínuo com os órgãos reguladores, gestores, sociedades clínicas e entidades médicas sempre defendendo acesso com qualidade e segurança.
Nesse diálogo com reguladores, gestores e demais entidades médicas, o CBR também leva a discussão sobre sustentabilidade dos serviços de imagem, condições de trabalho e modelos assistenciais que preservem a qualidade, a segurança do paciente e o exercício ético da Medicina.
CBR – Qual mensagem do CBR para os médicos radiologistas e aos profissionais da área em 2026?
RC – Minha mensagem é de união e propósito. O CBR seguirá cumprindo sua função institucional de integrar, valorizar e representar a Radiologia brasileira, apoiando o médico radiologista e os serviços de imagem, defendendo a qualidade assistencial, a sustentabilidade do setor e o acesso do paciente ao diagnóstico correto e oportuno. Fortalecer a Radiologia é fortalecer todo o sistema de saúde.


