Novas formas de remuneração

Nos últimos anos, muito tem se falado sobre novas formas de remuneração para enfrentarmos os custos crescentes da saúde. O sistema Fee for service, que se estabeleceu ao longo dos anos, está sendo extremamente questionado, pois, com o envelhecimento da população e as novas tecnologias, o custo da saúde tem apresentado uma curva crescente.

Essa discussão tem se acentuado nos últimos meses nos mais diversos fóruns e alguns novos modelos já estão sendo adotados em nível hospitalar, como o já conhecido “Pacote e agora”, o Sistema DRG. Todos estes sistemas baseiam-se na melhoria da remuneração para os casos com resultados favoráveis: menos tempo de internação e menos complicações durante o período. As críticas a essas novas formas de recebimento dizem respeito às diferenças entre os diversos pacientes, tais como comorbidades já existentes, desobediência às orientações médicas e respostas diferentes do organismo ao estresse induzido pela doença ou cirurgia.

Entretanto, em reunião recente da Associação Médica Brasileira (AMB) com suas diversas Federadas e Sociedades regionais de Especialidades, o Diretor de Defesa Profissional da entidade, Dr. Emilio Cesar Zilli, em apresentação sobre as novas formas de pagamento e a remuneração do sistema de saúde suplementar brasileiro, mostrou que a população idosa coberta por ele, considerando-se planos coletivos e individuais, perfaz 20%. Assim sendo, a maioria da cobertura dá-se em planos coletivos que contemplam uma população mais jovem, que utiliza menos o sistema.

Além disso, a população tem se cuidado mais preventivamente, e o fato de envelhecer não quer dizer obrigatoriamente fragilidade da saúde e, consequentemente, maior número de internações. Recentemente, o jornal Valor Econômico anunciou lucros do sistema de saúde suplementar brasileiro em 2016 da ordem de 70%. O reajuste dos planos individuais/familiares foi autorizado em 13,55% pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em maio deste ano, bem acima da inflação e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) garantido nos contratos dos prestadores de serviço pela Lei 13.003/2014. Somando-se a isso, devemos lembrar que a grande maioria dos planos é coletiva e, portanto, sem regulação pela ANS, o que acresce ainda mais aos lucros do sistema suplementar da saúde.

É importante lembrarmos que, até o momento, a bandeira da necessidade de mudança da forma de remuneração dos serviços de saúde é das operadoras.

E a classe médica? E os médicos da Radiologia e Diagnóstico por Imagem? Também possuem esse entendimento? Pois bem, precisamos discutir essa questão juntamente às nossas entidades e nos posicionarmos a respeito, sob pena de nos submetermos a regras impostas e, mais uma vez, termos nosso trabalho aviltado pelos lucros das operadoras de planos de saúde.

 

Dra. Cibele Carvalho
Diretora de Defesa Profissional do CBR

Escrito por

Murilo Castro

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