05 de outubro de 2026 - Juliana Arão

Norma PADI é reacreditada pela ISQua

Reconhecimento internacional da qualidade brasileira em diagnóstico por imagem abre novas oportunidades para o fortalecimento da acreditação em saúde na América Latina.

O Programa de Acreditação em Diagnóstico por Imagem (PADI), do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), teve sua norma reacreditada pela International Society for Quality in Health Care External Evaluation Association (ISQua EEA) para o ciclo 2026-2030. O anúncio foi realizado durante a sessão ISQua EEA IAP Awards, no 42º Congresso Internacional da ISQua, realizado entre os dias 27 e 30 de setembro, em Dublin, Irlanda.

A conquista reafirma que os padrões da norma PADI atendem aos critérios internacionais de desenvolvimento, governança e avaliação adotados pela instituição referência em qualidade de acreditadoras. Durante o congresso, o CBR e a Comissão de Acreditação em Diagnóstico por Imagem (CADI) foram representados pelo coordenador da comissão, Dr. Adriano Tachibana, que apresentou um estudo baseado em 89 auditorias realizadas em 2024 e 2025. A análise de 703 não conformidades permitiu identificar padrões e riscos recorrentes, subsidiando ações de educação e melhoria contínua nos serviços de diagnóstico por imagem.

Reconhecimento

A ISQua ocupa uma posição proeminente no cenário global da qualidade em saúde. Diferentemente das acreditadoras que avaliam hospitais e serviços privados de saúde, a entidade atua avaliando os próprios programas de acreditação, seus padrões e seus processos de formação de avaliadores. Em outras palavras, é uma organização que avalia quem avalia.

A reacreditação da norma do PADI representa, portanto, uma validação de que seus requisitos foram desenvolvidos de acordo com as referências internacionais. Para os serviços acreditados pelo programa, isso significa a confiança de que os critérios utilizados em sua avaliação passaram, eles próprios, por um rigoroso processo de análise internacional. Para gestores, reguladores e fontes pagadoras, trata-se de um importante indicador da abrangência e credibilidade do modelo adotado pelo CBR.

O reconhecimento também reforça uma trajetória construída ao longo dos últimos anos pelo PADI, que tem investido continuamente na evolução de seus padrões, na formação de profissionais e na consolidação da cultura de qualidade e segurança nos serviços de diagnóstico por imagem. Em 2026, o programa promoveu cinco turmas presenciais de capacitação sobre a versão 6 da norma, reunindo quase 200 profissionais de diferentes regiões do país para formação em interpretação da norma e auditoria interna.

A América Latina na agenda da qualidade em saúde

Além da reacreditação, a participação do CBR no congresso foi essencial para integrar do diálogo regional sobre qualidade e segurança assistencial. Durante a reunião da Latin American Community of Practice, representantes do Peru, Argentina, México e Brasil discutiram estratégias para ampliar a influência das iniciativas de qualidade nas políticas públicas de saúde e destacaram o papel das sociedades médicas de especialidade como parceiras nesse processo.

As três principais iniciativas brasileiras de acreditação em medicina diagnóstica estiveram representadas no encontro: o PALC, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML); o PADI, do CBR; e o PACQ, da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Outro destaque foi o contato com Pedro Delgado, novo CEO da ISQua. Durante o encontro, o executivo reafirmou seu compromisso com as ações da entidade na América Latina. Delgado destacou sua trajetória de atuação na região e sinalizou interesse em ampliar parcerias e iniciativas voltadas ao desenvolvimento da qualidade e da segurança em saúde nos países latino-americanos.

Dr. Adriano Tachibana, durante a sessão da comunidade latino-americana em Dublin, Irlanda.

Nova legislação de qualidade na saúde

Paralelamente à programação oficial do congresso, representantes do CBR, da SBPC/ML e da SBP também trocaram informações sobre a Lei nº 15.524, sancionada em setembro de 2026, que institui a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da Assistência à Saúde prestada pela iniciativa privada.

A legislação prevê a definição de padrões de qualidade para os serviços privados de saúde e reconhece a acreditação como um dos elementos que poderão compor os processos de avaliação, conforme regulamentação futura da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Durante as conversas, surgiu a proposta de promover um diálogo conjunto entre as entidades médicas, a Anvisa e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com o objetivo de contribuir tecnicamente para a regulamentação da nova legislação e discutir indicadores aplicáveis à realidade da medicina diagnóstica.

Próximos passos para o PADI

A reacreditação da norma marca uma conquista importante e inaugura uma nova etapa para o programa. A CADI debaterá a aplicação dos novos requisitos de inteligência artificial da versão 6 da norma, assim como avaliará a formação de especialistas consultores para acompanhar o desempenho de IA nos serviços, e definirá os requisitos e cronograma para obter a acreditação do programa junto à ISQua EEA.

Essa estratégia de expansão regional será consolidada por meio do contato contínuo com Pedro Delgado, com a equipe da ISQua e com representantes do Peru, Argentina e México, fortalecendo a atuação do PADI nas iniciativas latino-americanas de qualidade em saúde. No cenário nacional, o programa convidará formalmente a Anvisa e a ANS para uma conversa conjunta com o CBR, a SBPC/ML e a SBP, sobre a regulamentação da Lei nº 15.524 e o papel da acreditação previsto no artigo 5º.

Mais do que um reconhecimento internacional, a reacreditação reforça o compromisso do CBR e do PADI com a melhoria contínua da qualidade assistencial, a segurança dos pacientes e o desenvolvimento sustentável dos serviços de diagnóstico por imagem no Brasil.